
A luta pelo fim da escala 6×1 não é apenas uma pauta trabalhista, é um grito por saúde e dignidade. Folgar apenas um dia por semana impede o descanso real; o corpo não se recupera e a mente adoece. Dados da OMS são claros: jornadas exaustivas elevam o risco de AVC e doenças cardíacas. Precisamos de tempo para combater o burnout, a ansiedade e a depressão.
Fisicamente, o trabalhador está no limite. Seis dias seguidos de esforço aumentam os casos de LER/DORT e o risco de acidentes por fadiga crônica. Um segundo dia de folga é o que garante a recuperação de verdade, pois o primeiro dia acaba sendo usado apenas para resolver pendências domésticas. Com dois dias, o metalúrgico pode finalmente descansar, estudar, se qualificar e buscar mobilidade social, algo quase impossível na escala atual.
Além disso, a vida não é só fábrica. A escala 6×1 isola o trabalhador do convívio social e familiar. É o fim de semana que permite ver o crescimento dos filhos e estar com os amigos. Essa mudança também reduz a desigualdade de gênero, aliviando a sobrecarga das mulheres que acumulam a dupla jornada, e fortalece a economia local, pois o lazer gira o comércio de Mococa.
Para os patrões que alegam aumento de custos, lembro: diziam o mesmo quando o 13º salário foi criado. O tempo provou que eles estavam errados. O 13º injetou dinheiro na economia, melhorou a vida de todos e as empresas continuaram lucrando. Trabalhador descansado produz mais, falta menos e rende melhor. Descanso não é luxo, é condição para uma vida digna. Vamos juntos por essa vitória!
Francisco Sales (Chico)
Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Mococa e Região