Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos

CONTRATO / AVISO - Contribuição Sindical Urbana Aviso de Contribuição Sindical 2026
Metalúrgicos de São Paulo/SP

Comissão julga anistia ao Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, entidade perseguida pela ditadura militar (1964-1985)

 

Comissão julgará anistia ao Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, entidade perseguida pela ditadura militar (1964-1985)

O Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes será a primeira entidade sindical no Brasil a ser julgada pela Comissão da Anistia do Ministério dos Direitos Humanos, por ter sido perseguida na ditadura militar (1964-1985).

A Sessão Plenária Especial de análise do requerimento (nº 00135.203660/202409) coletivo de anistia será realizada nesta quinta-feira, 2 de julho de 2026, a partir das 9h, no Auditório do Bloco A (Subsolo), Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Esplanada dos Ministérios, em Brasília, após o julgamento do requerimento coletivo do Povo Indígena Ãwa/Avá-Canoeiro do Araguaia.

O requerimento será analisado pelo plenário de Conselheiros e Conselheiras da Comissão de Anistia. Prudente José Silveira Mello será o Conselheiro Relator.

Fatos históricos: a sede do Sindicato, então localizada na Rua do Carmo, centro de São Paulo, foi cercada por forças militares na manhã do dia 31 de março de 1964, antes mesmo da consolidação do golpe. O Sindicato, porém, desde o início, participou da resistência à ditadura.

Mas ativistas sindicais eram constantemente demitidos e perseguidos, através de monitoramentos e informações repassadas pelas empresas e, na parte mais cruel da ditadura (com perseguições, tortura, desaparecimentos e mortes), o Sindicato também sofreu perdas. Morreram nas mãos da ditadura os seguintes trabalhadores e líderes metalúrgicos:

Olavo Hanssen, metalúrgico da Massari S.A. morto sob tortura em maio de 1970, aos 33 anos, nos porões do Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo (DEOPS-SP).

Luiz Hirata, metalúrgico da Mangels, preso pela equipe do delegado Sérgio Paranhos Fleury e morto sob tortura em dezembro de 1971, aos 27 anos.

Manoel Fiel Filho, metalúrgico da Metal Arte, levado da fábrica por agentes do Departamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI) e morto sob tortura aos 49 anos, em janeiro de 1976.

Nelson Pereira de Jesus, da Metalúrgica Alfa, assassinado na rua pelo advogado da empresa aos 22 anos, em outubro de 1978.

Santo Dias, também era da Metalúrgica Alfa, morto após ser baleado pelas costas por um policial, em frente à fábrica Sylvânia, aos 37 anos, em outubro de 1979.

Memória, verdade, justiça e reparação!

Para o atual presidente do Sindicato, Miguel Torres, esse julgamento é imprescindível para que a sociedade brasileira reconheça a perseguição política que atingiu os operários metalúrgicos, os ativistas e o nosso Sindicato.

“Nós resistimos, lutamos pela redemocratização e pelas Diretas, Já! Mas precisamos continuar mobilizados, em defesa da Democracia e do Estado Democrático de Direito, para que não haja retrocessos políticos nem a volta de regimes autoritários, violentos e criminosos como o que durou 21 anos na história recente do País, de 1964 a 1985”, afirma Miguel Torres, presidente do Sindicato, Força Sindical e CNTM.