Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos

CONTRATO / AVISO - Contribuição Sindical Urbana Aviso de Contribuição Sindical 2026
Artigo

Uma edição surpreendente

João Guilherme V. Netto, consultor de entidades sindicais de trabalhadores

No mundo da grande mídia acontecem coisas surpreendentes. Uma delas foi a publicação, no sábado, dia 24 de novembro, de uma página inteira do Estadão traduzindo e reproduzindo matéria de The Economist sobre “A tecnologia e o renascimento dos sindicatos”.

O grande resumo do texto pode ser obtido por sua própria apresentação em que lemos que “apontada como uma das responsáveis pelo declínio das organizações sindicais, a tecnologia pode ter papel central no retorno dos movimentos trabalhistas”.

O autor original (cujo nome é omitido) faz uma série de cogitações pertinentes para explicar a ascensão secular e o declínio atual da organização sindical nos países capitalistas de economia forte. Alinhaas sucessivas alterações da estrutura produtiva, as legislações – favoráveis ou adversas – para a prática sindical e a tecnologia (inclusive a de comunicação), cujos efeitos são favoráveis ou contrários à prática sindical.

“O apoio ao sindicato vem aumentando novamente. E a tecnologia pode, de novo, ter um papel central nesse renascimento (…). O uso da mídia social está tomando o lugar das reuniões no chão da fábrica por meio da chamada ‘ação conectiva’.”

Quanto a essa interação entre o fortalecimento das entidades e o uso de redes socais (por elas ou pelos trabalhadores) o autor sintetiza dois caminhos alternativos: ou as redes destroem os sindicatos porque os tornam irrelevantes, ou as redes são um poderoso instrumento para a realização dos objetivos estratégicos dos sindicatos. São alinhados vários exemplos na vida dos trabalhadores das grandes economias capitalistas.

Se o jornalista de The Economist tivesse olhado para o Brasil, seguramente apontaria como um exemplo forte da primeira opção a greve dos caminhoneiros, que foi independente da rede de entidades que os representavam e totalmente organizada e dirigida através das redes socais.

Um exemplo de utilização sinérgica entre a mobilização sindical e o apelo às redes sociais foi a última campanha salarial do Sinpro-SP e dos sindicatos de professores da rede privada organizados na Federação Estadual de Professores.

Recomendo que leiam e estudem o texto, uma edição surpreendente.

Segue o link da publicação: http://bit.ly/2P3ZEWu

João Guilherme V. Netto, consultor de entidades sindicais de trabalhadores