
João Guilherme Vargas Netto, consultor de entidades sindicais de trabalhadores
Em um país em que a taxa de mais-valia é 100% (ler com atenção o artigo de Naercio Menezes Filho no Valor de 20/02/26 em que “um estudo recente com dados brasileiros estima que os salários dos trabalhadores é a metade do valor de sua contribuição produtiva para a empresa em que trabalha”) há um espinho na garganta dos capitalistas: o salário-mínimo e sua valorização.
Este ano comemora-se os 90 anos de sua criação e o 20º aniversário da política para sua valorização.
Ambas as efemérides foram assunto para um evento no Ministério do Trabalho e Emprego e deram substância ao novo livro do Dieese sobre o salário-mínimo e sua conturbada história.
O espinho encravado na garganta dos capitalistas produz quase sempre soluços em seus escribas que atentam contra a validação do salário-mínimo, suas relações com a Previdência e o esforço para sua valorização.
Que o salário-mínimo é essencial basta prestar atenção à língua falada pelos brasileiros em que “salário” quer dizer quase sempre salário-mínimo, que é também usado pelos estatísticos como degraus para análise dos rendimentos.
O horror dos capitalistas e de seus escribas ao salário-mínimo decorre de seu papel civilizatório, como marco e limite da exploração.