
João Guilherme Vargas Netto, consultor de entidades sindicais de trabalhadores
João Guilherme Vargas Netto – consultor de entidades sindicais de trabalhadores
Há uma contradição evidente e visível entre a conjuntura econômica, que é positiva e a percepção das pessoas, retratada pelas pesquisas, sobre esta conjuntura. Fenômeno semelhante (a ser compreendido, explicado e alterado) acontece entre os trabalhadores e as trabalhadoras com relação ao papel do sindicato, que os representa, de seus dirigentes e dos resultados positivos conquistados pela luta sindical.
No caso mais geral o descompasso entre conjuntura positiva e a percepção da sociedade decorre, fundamentalmente, da mala vita (dificuldades permanentes e inquietações diárias) e de uma oposição vociferante, radical e permanente.
Este segundo fator é inexistente no âmbito da vida sindical (mesmo quando, impulsionadas pelos patrões e RHs, proliferam as cartas de oposição ao sindicato), sendo trocado pela alienação a respeito dos resultados dos esforços coletivos.
Que são reais: durante o ano de 2025 quase 80% dos acordos e convenções negociados superaram a inflação, com ganhos reais e a proporção se mantém nos três primeiros meses de 2026.
A taxa de sindicalização que vinha caindo sistematicamente apresentou um aumento em 2024 que, tudo indica, será confirmado também em 2025.
Este respiro do sindicalismo demonstra que o papel dos dirigentes e sua atitude de bem representar os trabalhadores e as trabalhadoras passa a ser valorizado para enfrentar a alienação individualista.