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Produção de aço na China tem queda após seis anos

Demanda interna menor pode prejudicar tentativa da Vale de conseguir um novo reajuste para o minério de ferro exportado para o país

Cláudia Trevisan

A produção de aço na China caiu em agosto pela primeira vez em seis anos, acompanhando a redução nas vendas de imóveis e na fabricação de carros, dois dos principais setores que utilizam o produto. Segundo dados da consultoria Dragonomics, a área construída de imóveis residenciais negociados no mês foi 14,9% inferior ao do mesmo período do ano passado.

A situação em Pequim é uma das mais dramáticas do país: o número de unidades vendidas na capital diminuiu 53% de janeiro a agosto, em relação aos oito primeiros meses de 2007, enquanto a redução na área vendida foi de 53%.

A demanda por aço vinha em desaceleração desde o último trimestre de 2007 e caiu 1% em agosto, na comparação com o mesmo mês de 2007. A queda é uma má notícia para a Vale, que tenta arrancar dos chineses um reajuste adicional de 11% no preço do minério de ferro, principal matéria-prima das siderúrgicas. Segundo a agência Bloomberg, o preço que a China paga no mercado à vista pelo minério de ferro importado teve queda de 17% no mês passado em Beilun, onde a maior siderúrgica do país, a Baosteel, recebe seus carregamentos. A queda foi a maior desde junho de 2006, quando os dados começaram a ser coletados.

“Os compradores estão fugindo do mercado: na última pesquisa de famílias urbanas do Banco do Povo da China, apenas 13,3% dos entrevistados disseram que pretendiam comprar um imóvel residencial nos próximos três meses – o menor índice desde que o levantamento começou, em 1999´´, diz análise da Dragonomics.

Ontem, a Toyota anunciou que cortará sua produção na China, em razão da desaceleração na venda de carros. A empresa japonesa tem capacidade para produzir 200 mil carros ao ano em sua fábrica no sul da China. Segundo o jornal japonês Nikkei, o corte será de 10%. A venda de carros deve fechar o ano com crescimento inferior a 15% no país, bem abaixo dos índices de anos recentes.

A desaceleração econômica deverá ser um dos temas da reunião plenária que o Comitê Central do Partido Comunista realiza a partir da próxima segunda-feira e que tem como agenda oficial a discussão de reformas na zona rural.

O analista político Willy Lam acredita que líderes regionais do partido vão pressionar o governo central a adotar medidas de estímulo ao crescimento e a relaxar a política monetária.

NEGOCIAÇÕES

Ontem, a Vale reiterou sua posição de que as negociações sobre o preço do minério de ferro com os clientes chineses seguem em andamento. A afirmação foi uma resposta a novas reclamações das siderúrgicas daquele país contra os planos da mineradora para elevar os preços da commodity.

No domingo, o presidente do conselho da siderúrgica chinesa Shougang, Zhu Jimin, disse que a companhia não está disposta a aceitar o reajuste.