Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos

CONTRATO / AVISO - Contribuição Sindical Urbana Aviso de Contribuição Sindical 2026
Notícias

Por emprego, câmara setorial pode voltar

Arnaldo Galvão, de Brasília

Sindicalistas de todas as centrais almoçaram ontem com os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Dulci. O encontro durou duas horas. Os presidentes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique da Silva Santos, e da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), informaram, depois do encontro, que Mantega prometeu discutir com as lideranças empresariais a exigência da preservação dos empregos nos projetos que usam recursos do BNDES ou se beneficiam da desoneração de tributos, reivindicação que apresentaram ao governo. Ruy Baron/Valor

Os sindicalistas no encontro com o ministro Guido Mantega, que prometeu discutir com empresários como preservar empregos durante a crise

Os dois dirigentes disseram que esses encontros seriam uma espécie de projeto-piloto de câmaras setoriais. Na visão deles, Mantega concorda que emprego e renda são essenciais para o consumo. Uma reunião dos sindicalistas com o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, e Mantega, está marcada para terça-feira, no Rio.

Foram muitas as reivindicações apresentadas no encontro. Um documento entregue a Mantega tinha 22 pedidos, desde a correção da tabela do Imposto de Renda (IR) até o controle do fluxo de capitais. Eles insistiram que a correção da tabela do IR tem de acompanhar a inflação e, portanto, ser maior que os 4,5% prometidos. Querem mais de 7%. Neste assunto, também pretendem maiores avanços para que o sistema progressivo seja adotado, fazendo com que carga maior seja dirigida aos que ganham mais.

José Lopes Feijó, dirigente da CUT, defendeu o modelo das câmaras setoriais para a preservação do emprego. Relatou que, em 2002, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC fez vários acordos nesse sentido e todos foram cumpridos. Na sua avaliação, as desonerações de tributos têm de ser acompanhadas de redução de preços. Ele ainda atacou a proposta de algumas lideranças empresariais para, durante a crise, suspender ou adiar o pagamento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). “Querem greve geral para quando? É o limite da cara-de-pau”, criticou.

Paulo Pereira, da Força, chegou a dizer que se o Banco Central não baixar os juros, vai iniciar uma campanha para derrubar Henrique Meirelles. O sindicalista disse que a reunião de ontem foi “razoável” porque Mantega deixou claro que o governo vai reduzir o custo financeiro para baixar os juros na ponta. “Vão usar o poder do governo e dos bancos oficiais. Vão jogar pesado para manter o Brasil crescendo”, relatou.

A preocupação dos sindicalistas é com a demissão em massa. Dizem que muitas empresas estão preparando dispensas, e ainda não há um compromisso claro do governo em relação à proteção do emprego. Para Santos, da CUT, as medidas anti-crise já tomadas são adequadas, mas insuficientes porque não protegem o emprego.