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Negociação trabalhista define rumo de investimentos


Escrito por Cleide Silva    

No momento em que anunciam investimentos recordes no País, as montadoras voltam a promover uma disputa entre suas fábricas para decidir qual delas receberá novos projetos. O argumento principal é o menor custo de produção, mas as chances são maiores nas unidades em que os funcionários aceitam a flexibilização das relações trabalhistas.

A General Motors, que comemora seu melhor ano em vendas e resultados financeiros no Brasil, deve escolher, até março, qual das três fábricas do grupo vai produzir dois novos modelos, que chegarão ao mercado a partir de 2012. Os lançamentos estão incluídos no programa de R$ 5 bilhões previsto para o período de 2008 a 2012.

A unidade da General Motors com maior capacidade ociosa é a de São José dos Campos (SP). Mas, para receber o projeto, os funcionários terão de aceitar um acordo de flexibilização de jornada de longo prazo. Uma das medidas incluídas é o banco de horas, que permite jornadas extras em período de maior demanda e jornada menor quando o mercado está desaquecido.

“Os acordos anteriores que fizemos com São José eram de curto prazo”, diz o presidente da companhia, Jaime Ardila. “Agora, queremos discutir um acordo que dure ao menos cinco anos.” O Sindicato dos Metalúrgicos de São José é filiado à central Conlutas e já protagonizou diversos enfrentamentos com a montadora.

A fábrica de São José tem capacidade produtiva anual para 230 mil veículos, e deve produzir este ano 150 mil. A unidade de São Caetano do Sul (SP) opera quase no limite de capacidade, de 250 mil unidades/ano, e a de Gravataí (RS) já está comprometida com o projeto de outros dois carros da chamada família Onix, incluída no investimento de R$ 2 bilhões anunciado em julho. Com esse aporte, a fábrica gaúcha terá sua capacidade ampliada de 240 mil para 350 mil unidades ao ano.

Na semana passada, ao anunciar um plano de R$ 6,2 bilhões entre 2010 e 2014, o presidente da Volkswagen do Brasil, Thomas Schmall, informou que a divisão do montante entre as três fábricas de São Paulo (Anchieta, Taubaté e São Carlos – esta última de motores), ainda depende de negociações com os trabalhadores, cujos sindicatos e comissão de fábrica são ligados à CUT.

Fonte: O Estado de S. Paulo