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Copom deve anunciar hoje 8º corte seguido dos juros

Levantamento feito pelo AE Projeções mostra que 79 das 81 instituições financeiras consultadas acreditam que a taxa cairá 0,50 ponto, para 8% ao ano

Fernando Nakagawa, da Agência Estado

BRASÍLIA – O Comitê de Política Monetária (Copom) deve anunciar, na noite desta quarta-feira, o oitavo corte consecutivo da Selic – a taxa básica de juros, atualmente em 8,50% ao ano – como mais um incentivo para reaquecer a economia. Levantamento feito pelo AE Projeções – da Agência Estado – mostra que 79 das 81 instituições financeiras consultadas acreditam que a taxa cairá 0,50 ponto, para 8% ao ano. Duas casas apostam em um corte menor, de 0,25 ponto.

A Selic é a taxa de juros que remunera os títulos públicos federais e é referência para os investimentos em renda fixa. Além disso, afeta o custo do crédito para as empresas e os consumidores.

Mas o consenso sobre o corte de juros não prevalece em relação aos próximos passos. Como o Brasil tem reagido de forma lenta aos diversos incentivos lançados, algumas instituições financeiras já preveem que o ciclo de redução da Selic – que para a maioria deve acabar em agosto – pode ser esticado até outubro.

“O crescimento moderado no País somado ao movimento de queda mais pronunciado que o esperado da inflação doméstica deverá oferecer suporte para o BC dar continuidade ao ciclo”, diz o estrategista-chefe do Banco WestLB, Luciano Rostagno, que tem a mesma expectativa da maioria dos economistas.

Desde que o atual ciclo de redução começou em agosto do ano passado, a taxa caiu 4 pontos e, agora, está no menor patamar da história: 8,5%.

Reação econômica

Mesmo assim, em tempos de forte crise na Europa e Estados Unidos, a economia brasileira demora a reagir. Nem mesmo a verdadeira força-tarefa instalada pela equipe econômica – com corte de impostos, mais crédito e aumento de gastos públicos – parece fazer efeito e os prognósticos para a economia são cada vez mais pessimistas.

Por isso, uma parte dos analistas já trabalha com a perspectiva de que os cortes devem continuar até quase o fim de 2012. Das instituições ouvidas pela Agência Estado, nove esperam juro de 7% no fim do ano.

Na avaliação desse grupo, portanto, o juro deve cair 1,5 ponto nos próximos meses – incluindo a decisão esperada para hoje à noite. “O risco de crescimento baixo ainda está presente, e o BC provavelmente reagirá. Esperamos agora que a taxa Selic caia a 7%”, diz em relatório o departamento de pesquisa econômica do Banco Itaú BBA.

A casa espera três cortes de 0,5 ponto nas reuniões de julho, agosto e outubro. Antes, previa que o ciclo terminaria no próximo mês, com juro em 7,5%.

Além da fraca atividade, o Itaú explica o juro mais baixo pelos preços que seguem bem comportados, sem grandes ameaças. “Sem dúvida, o IPCA menor do que o esperado em junho e uma economia global fraca apontam para inflação menor à frente.”

A reunião do Copom programada para hoje será a primeira com a participação do novo diretor de assuntos especiais, Luiz Edson Feltrim. Agora, o rumo do juro será decidido por oito votos – sete diretores e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. Em caso placar dividido, Tombini tem o poder de desempatar.