
A luta pela redução da jornada de trabalho, sem redução salarial, e pelo fim da escala 6×1 representa uma das pautas mais importantes da classe trabalhadora brasileira neste momento. Não estamos falando apenas de números, horas ou mudanças técnicas na legislação. Estamos falando de qualidade de vida, saúde, convivência familiar, produtividade e dignidade humana.
O mundo do trabalho mudou profundamente nas últimas décadas. A tecnologia avançou, a produtividade aumentou e empresas incorporaram novos processos à produção e ao setor de serviços. Entretanto, a sociedade não distribuiu os ganhos dessa evolução de forma justa. Os trabalhadores e trabalhadoras seguem enfrentando jornadas exaustivas, deslocamentos longos e dificuldades crescentes para equilibrar trabalho, família, lazer, estudo e descanso.
O modelo da escala 6×1 simboliza esse desequilíbrio. Trabalhar seis dias para descansar apenas um impõe um desgaste físico e mental enorme, especialmente para milhões de trabalhadores do comércio, serviços, indústria e diversos outros setores. O trabalhador(a) precisa ter tempo para viver. Precisa conviver com a família, cuidar da saúde, estudar, participar da vida social e exercer plenamente sua cidadania.
A redução para 40 horas semanais não pode ser vista como custo. Ela deve ser encarada como investimento social e econômico. Diversos estudos e experiências internacionais demonstram que jornadas menores podem aumentar produtividade, reduzir afastamentos por doenças, melhorar o ambiente de trabalho e gerar novas oportunidades de emprego.
Redução da jornada sem redução salarial
Além disso, a proposta preserva um princípio essencial: a redução da jornada sem redução salarial. Não aceitaremos que os trabalhadores paguem a conta por uma medida que representa avanço social e modernização das relações de trabalho.
A construção do entendimento sobre a redução da jornada e o fim da escala 6×1 exige forte atuação política, diálogo institucional e ampla mobilização social. O Congresso Nacional precisa compreender que esta pauta não pertence apenas ao movimento sindical; ela representa um desejo crescente da sociedade brasileira.
Nossa pressão popular está sendo, como sempre, essencial nesta batalha. Na Câmara dos Deputados, conquistamos a aprovação da PEC 221/19, que reduz a jornada semanal de trabalho, extingue a escala 6×1 e estabelece a jornada 5×2 como referência nacional, sem redução salarial. Mas a proposta precisa também ser aprovada no Senado Federal.
Precisamos convencer os senadores que reduzir a jornada, sem redução salarial, e acabar com a escala 6×1 significa construir um País mais justo, humanizado e próspero. E esse futuro precisa começar agora!
Miguel Torres
Presidente da Força Sindical, CNTM e Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes