Maioria dos brasileiros apoia o fim da escala 6×1; mostra Datafolha
Pesquisa Datafolha mostra apoio de 64% da população à redução do regime de seis dias de trabalho por um de descanso. Debate avança no país e reforça pressão por nova organização do trabalho
Ampla maioria da população brasileira apoia mudanças na organização da jornada de trabalho. Pesquisa do instituto Datafolha indica que 64% dos brasileiros defendem o fim da escala 6×1, modelo em que o trabalhador cumpre 6 dias consecutivos de trabalho para apenas 1 dia de descanso.
Outros 33% se dizem contrários à mudança e 3% não souberam opinar.
O levantamento foi realizado em 113 municípios e ouviu 2.002 pessoas com 16 anos ou mais, com margem de erro de 2 pontos percentuais.
Os resultados reforçam a pressão social por reorganização da jornada laboral no Brasil, tema que ganhou destaque no Congresso Nacional e nas mobilizações de trabalhadores nos últimos anos.
Preferência por semana de 5 dias
A pesquisa também mostra que a população brasileira prefere jornadas mais curtas e concentradas em menos dias da semana. Cerca de 70% dos entrevistados afirmaram que a jornada ideal seria de 5 dias de trabalho, enquanto 17% defendem 6 dias e 7% apontam 4 dias semanais.
Além disso, 82% consideram que o ideal é trabalhar até 8 horas por dia, padrão semelhante ao adotado em diversos países industrializados.
Os dados indicam que a preferência por modelos como 5×2 (5 dias de trabalho e 2 de descanso) ou mesmo 4×3 (4 dias de trabalho) vem ganhando espaço na opinião pública.
Apoio maior entre jovens e trabalhadores de menor renda
O apoio ao fim da escala 6×1 é ainda mais expressivo entre os mais jovens. Entre pessoas de 16 a 24 anos, 81% se dizem favoráveis à mudança, segundo o levantamento.
A pesquisa também aponta maior adesão entre trabalhadores de renda mais baixa. Entre aqueles que recebem até 2 salários mínimos, 68% apoiam a redução da jornada, percentual que permanece majoritário mesmo entre faixas de renda mais altas.
Mulheres também demonstram maior apoio à mudança: 70% defendem o fim da escala, ante 58% entre os homens.
Para analistas do mercado de trabalho, esses dados refletem uma crescente insatisfação com modelos considerados mais extenuantes de organização do trabalho, especialmente em setores como comércio e serviços.
Propostas em discussão no Congresso
O debate ganhou força após a apresentação de propostas legislativas que buscam alterar o modelo atual de jornada. Uma das iniciativas prevê reduzir gradualmente a jornada semanal de 44 horas para 36 horas, com reorganização da escala de trabalho.
Entre as alternativas discutidas estão:
- PEC 148/15, do senador Paulo Paim (PT-RS), substitui a escala 6×1 por 5×2, modelo predominante em vários países;
- PEC 8/25, da deputada Erika Hilton (PSol-SP), cria a jornadas 4×3, com 3 dias de descanso por semana; e
- PEC 221/19, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), reduz progressivamente a carga horária sem corte salarial.
Parlamentares favoráveis à mudança argumentam que a reorganização da jornada pode melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, aumentar a produtividade e gerar novos empregos.
Mobilização social impulsiona debate
A discussão também ganhou força fora do Congresso, impulsionada por movimentos sociais e campanhas nas redes. Entre esses está o Movimento VAT (Vida Além do Trabalho), que defende a substituição da escala 6×1 por modelos mais curtos de jornada e a ampliação do tempo de descanso semanal.
Para os defensores da mudança, trabalhar 6 dias seguidos com apenas 1 dia de descanso pode gerar impactos negativos na saúde física e mental dos trabalhadores, além de dificultar o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.
Pressão social e resistência política
Apesar do apoio majoritário da população, a mudança ainda enfrenta resistências políticas e empresariais.
Levantamentos recentes indicam que parte significativa dos deputados federais se posiciona contra a redução da jornada, citando possíveis impactos sobre custos e produtividade.
Mesmo assim, os dados das pesquisas de opinião indicam que a pressão social tende a crescer, especialmente entre jovens trabalhadores, grupo que demonstra maior apoio às jornadas mais curtas.
O avanço do debate no Brasil acompanha tendência observada em diversos países, onde experiências com semanas de trabalho reduzidas têm sido testadas como forma de melhorar produtividade, bem-estar e equilíbrio entre vida profissional e pessoal.
Fonte: DIAP