Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos

Artigo

Política e fator humano


José Pereira dos Santos

Aprende-se na vitória e na derrota. Nos últimos meses, por ser vice na chapa de Eli Corrêa Filho, andei por toda Guarulhos, fora, digamos, do circuito de porta de fábrica, onde transito mais devido à minha condição de dirigente metalúrgico.

Que cidade vi nessas andanças? Uma cidade carente, uma cidade empobrecida, uma cidade abandonada. Na periferia, principalmente nos extremos dessa periferia, vi uma população em situação subumana, obrigada a viver em condições precárias de habitação, sem serviços públicos, com esgoto a céu aberto e todas as mazelas típicas da pobreza.

Constatei, nos contatos e encontros com moradores, muito descrédito com a política e mesmo forte revolta com os políticos. Revolta, aliás, compreensível frente à dureza da vida real, dos problemas do cotidiano e do descaso do poder público.

O volume de queixas da população é muito grande. Nos contatos com as mulheres, se verifica muita frustração com relação ao atendimento da saúde pública, devido à falta de instalações, de equipamentos e mesmo de servidores em número suficiente para bem atender as famílias.

Há regiões na cidade, também, onde se verifica a forte presença do crime organizado e até cancelas fechando ruas e becos, nas quais só se entra mediante autorização dos comandos locais.

Eu não diria que Guarulhos precisa ser refundada. Mas todo o planejamento precisa ser refeito, com a fixação de prioridades, definição de obras e de prazos para fazer o que tiver de ser feito.

A pergunta é: um prefeito e um conjunto de secretários darão conta de tudo isso? Não darão. O prefeito pode até ser – e deve – centro inteligente, articulador e realizador. Mas o governo terá de mobilizar a sociedade, por meio de suas instituições, bem como os poderes públicos, entre os quais um Legislativo mais ágil, mais articulado e mais ligado às demandas reais dos cidadãos.

Fator humano – Planejamento, estratégias, metas, ações e diálogo, tudo isso será imprescindível para a cidade. Mas nada será efetivamente mudado se o gestor não tiver o fator humano no centro das políticas públicas e de seu plano de governo.

A economia de mercado, por mais moderna e avançada, pode dinamizar a vida de uma cidade. Mas o mercado não tem a dimensão humana em seu centro. Essa dimensão cabe ao gestor público, pois só o Estado eficiente, transparente e articulado com as forças vivas da sociedade poderá agregar essa dimensão humana, levando ações, obras, programas e esperança a cada morador da nossa cidade.

É nesse sentido que devemos direcionar nossas energias e vontades, com muito trabalho, sabedoria e diálogo com a população.

Sucesso – A vontade popular é sagrada. Boa sorte ao futuro prefeito Guti e a toda a sua equipe.

José Pereira dos Santos
Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região 

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pereira@metalurgico.org.br