Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos

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Mortes no Paquistão: Ultraje a vida humana e desrespeito a classe trabalhadora internacional

Os Químicos da Força lamentam e protestam pelos mais de 314 trabalhadores que morreram queimados nos incêndios que começaram em 11 de setembro e destruíram duas fábricas no Paquistão, uma na cidade de Karachi e outro em Lahore.

O número de mortos questiona diversas questões sobre a segurança nas indústrias de todos os países, que dependem incisivamente do capital explorativo, em detrimento às condições ultrajantes a que são submetidos os seus trabalhadores.

Segundo os órgãos de imprensa internacionais, no acidente mais letal, as chamas devastaram uma loja de roupas em Karachi, a dinâmica capital comercial do país, matando pelo menos 289 pessoas. Muitos estavam em fila para pegar seu pagamento. “As pessoas começaram a gritar por suas vidas”, disse Mohammad Asif, de 20 anos. “Todo mundo vinha para a janela. Eu pulei do terceiro andar.”

Um outro incêndio, na cidade de Lahore, no leste do país, atingiu uma fábrica de sapatos, matando pelo menos 25 pessoas. “Os donos estavam mais preocupados em salvaguardar as roupas na fábrica do que os trabalhadores”, afirmou o funcionário Mohammad Pervez, segurando uma fotografia de seu sobrinho, que também trabalha no local e está desaparecido. “Se não houvessem grades de metal nas janelas, muitas pessoas teriam sido salvas. A fábrica estava lotada de roupas e tecidos. Qualquer pessoa que reclamasse era demitida.” Em um hospital de Karachi, cerca de 30 corpos que não podiam ser identificados por causa das queimaduras estavam enfileirados no necrotério. A causa do incêndio na fábrica de roupas ainda não foi esclarecida.

No dia 12 de setembro, um ministro da província ordenou a inspeção de todas as fábricas e indústrias na Província de Sindh dentro de 48 horas. A capital provincial de Karachi abriga mais de 18 milhões de pessoas.

Em pleno século XXI não podemos mais aceitar tragédias como essas. Todas as devidas providências precisam ser tomadas. E com o apoio de nossa Federação e da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Ramo Químico, reiteramos junto com a nossa central Força Sindical e a OIT, todo o clamor do movimento sindical internacional, junto ao protesto maior contra a ocorrência de toda essa absurda fatalidade. Não podemos aceitar que fatos como esses voltem a ocorrer!

Sérgio Luiz Leite, Serginho, é presidente da Fequimfar (Federação dos Químicos do Estado de SP) e 1º secretário da Força Sindical

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