Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos

Artigo

Lições da pandemia

“Há 4 anos estamos sendo bombardeados por um golpe bancado pela direita extrema, neoliberal e conservadora. Este grupo político no poder tem levado adiante o projeto das 101 medidas para o “desenvolvimento”, que na prática representam a destruição de direitos e o enfraquecimento do sindicalismo.

A pandemia do Covid-19 demonstrou as fraquezas dos governos e, mesmo neste cenário de crise, fica claro a obsessão patronal pela manutenção oportunista de seus lucros e acumulação de riquezas. Defendiam o estado mínimo. Agora defendem um estado gigante, que financie suas supostas perdas, com ameaças frias e calculistas: ou o estado os financia para a retomada da atividade laboral (com todos de volta ao trabalho) ou então ocorrerão demissões em massa.

O acordo coletivo sobre a MP 936 é um pequeno caminho para doer menos para os trabalhadores, pois abre a possibilidade de negociação para garantir aos trabalhadores algo a mais que a garantia de emprego. Neste contexto, como resgatar a hegemonia do movimento sindical e o reconhecimento social merecido?

Fica claro que não existe conciliação com o capital. Temos o pior Congresso de todos os tempos. O movimento sindical não é mais devidamente consultado pelos 3 poderes e as questões dos trabalhadores são tratadas como de terceiro plano. Não dá para conciliar, insisto, mesmo diante da esperança de uma reforma sindical que imaginam que vai ajudar a classe trabalhadora.

A comunicação sindical é uma grande esperança. Precisamos, através dela, abandonar o discurso conciliatório e retomar as práticas de panfleto, alinhadas às redes sociais, e retomar o sindicalismo socialista. As comunidades periféricas podem ter um papel extrordinário nisto. Vale ressaltar a torcida organizada do Corinthians que deu uma lição a todos, de como resistir ao fascismo. Muitos pseudolíderes devem ou deveriam estar envergonhados neste momento!

Enfim, vivemos um momento triste, de mortes ocasionadas pela pandemia do coronavírus. Queria, então, registrar também minha solidariedade às famílias das vítimas e dar um abraço, mesmo que de modo virtual, aos que defendem a saúde, a vida e os direitos da classe trabalhadora brasileira e mundial, de forma honesta, atuante e verdadeira”.

Edenilson Rossato, Alemão
diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes

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