Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos

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CNTM participa da MARCHA DO MISSISSIPPI (DIREITOS TRABALHISTAS = DIREITOS CIVIS)

 

Uma data que já marcou a história de lutas do Mississipi. Os trabalhadores e trabalhadoras da Nissan com coragem e muita determinação marcharam pelas rodovias de Canton até a entrada da fábrica com palavras de ordem que ecoavam “eu me levanto e luto”, “quando lutamos podemos vencer”, “uma voz, um time”, “direitos sindicais e direitos civis”,  “nós todos somos o Sindicato”.

Participaram pela CNTM (Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos): Mônica Veloso (vice-presidente da CNTM, membro da executiva da IndustriAll Global Union e presidente do Comitê Mundial de Mulheres da IndustriAll), Carlos Albino (secretário de finanças da CNTM e presidente da Federação dos Metalúrgicos de Goiás e do Sindicato dos Metalúrgicos de Catalão) e Reginaldo José de Faria (presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Anápolis).

A Marcha teve apoio político de senadores e deputados, movimentos civis, do ator ativista dos direitos civis Danny Glover e das centrais sindicais do Brasil e da França.

“Defendemos o lema Nenhum Direito a Menos, que significa poder ser sindicalizado, lutar por condições de trabalho decente, ser respeitado na sua escolha de ter um sindicato e ter um contrato coletivo. Estas são algumas bandeiras defendidas. Temos a convicção de que um passo importante rumo à vitória foi dado. Parabéns a todas as trabalhadoras e trabalhadores da Nissan, parabéns à UAW e seus dirigentes e a todos os movimentos que se juntaram a esta luta”, diz Mônica Veloso.

Para Miguel Torres, presidente da CNTM e vice-presidente da Força Sindical, a luta da classe trabalhadora é global e todas as ações em defesa dos direitos e do trabalho decente merecem destaque e apoio. “Os trabalhadores da Nissan no Mississipi têm direito de ter representação sindical e merecem respeito quando reivindicam melhorias no ambiente de trabalho”, diz Miguel Torres, parabenizando a Marcha do dia 4 de março que reuniu em torno de 4.500 manifestantes em Canton, Mississipi, Estados Unidos.

 

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#workersrightscivilrights

 

 

Confira o conteúdo de divulgação do evento

04 de março de 2017 · Canton, Mississippi, EUA

Bernie Sanders e Danny Glover vão liderar protesto histórico por direitos civis na fábrica da Nissan em Canton, Mississippi

Centenas de trabalhadores, lideranças de direitos civis e representantes eleitos vão convergir na ‘Marcha do Mississippi: direitos trabalhistas = direitos civis’ até a planta da Nissan

Citando o histórico de assédio e intimidação dos trabalhadores afro-americanos da montadora, manifestantes vão exigir que a empresa respeite o direito dos seus funcionários de votarem pela sindicalização sem medo de retaliação

Canton, Mississippi– Citando o padrão de abusos da Nissan dos direitos civis da sua força de trabalho predominantementeafro-americana no Mississippi, o Senador Bernie Sanders, o ator Danny Glover, o presidente da Associação Nacional para o Progresso das Pessoas de Cor (NAACP) Cornell William Brooks e centenas de trabalhadores, líderes de direitos civis e defensores da justiça social vão convergir na planta da montadora em Canton esse sábado para exigir que a empresa respeite o direito dos seus trabalhadores de votar pela sindicalização sem medo ou intimidação.

A Marcha do Mississippi – que deve ser o maior protesto realizado no estado em vários anos – acontece após uma série de açõesem revendedoras da Nissan na região Sul dos Estados Unidos no mês passado. Em cada protesto, pastores e lideranças de direitos civis locais distribuíram cartas detalhando as condições de trabalho arriscadas dos trabalhadores da planta de Canton. Estima-se que 80% dos cerca de 5.000 trabalhadores da planta sejam afro-americanos.

“Tenho orgulho de me unir à luta para dar aos trabalhadores da planta da Nissan em Canton, Mississippi, a justiça, dignidade e o direito à sindicalização que eles merecem,” disse o Senador Bernie Sanders. “Há representação sindical em 42 das 45 plantas da Nissan no mundo inteiro. O Sul dos Estados Unidos não deve ser tratado de forma diferente. O que os trabalhadores da planta da Nissan no Mississippi estão fazendo é um esforçoextremamente importante e corajoso para melhorar suas vidas.”

A marcha está sendo organizada pela Aliança do Mississippi pela Justiça na Nissan (MAFFAN), uma coalizão de lideranças de direitos civis, pastores e defensores dos trabalhadores. Além do Senador Bernie Sanders, Danny Glover e Cornell William Brooks, uma coalizão de diversos políticos e lideranças de direitos civis se juntarão à marcha, incluindo o Deputado Bennie Thompson, a ex-senadora pelo estado de Ohio Nina Turner, o Presidente da NAACP do Mississippi Derrick Johnson, e o Presidente do Sierra Club Aaron Mair.

“Corporações poderosas como a Nissan são garotas-propaganda da economia viciada dos Estados Unidos,” disse Danny Glover. “A chegada da Nissan em Canton veio com a promessa de bons empregos para a comunidade, mas, ao invés disso, a empresa tem cometido violações desenfreadas na área de segurança e saúde e tem negado a seus trabalhadores o direito básico de votar pela sindicalização semmedo ouintimidação. Os trabalhadores da Nissan em Canton têm meu total apoio na sua luta por justiça e respeito no local de trabalho.”

Antes da marcha propriamente dita, o evento terá início com discursos de Bernie Sanders e Danny Glover, entre outros, às 12.30 CST (Horário Padrão da Região Central dos EUA) no Canton Sportsplex, localizado ao nº 501 Soldiers Colony Road, Canton. Em seguida, os manifestantes irão marchar por aproximadamente duas milhas, até chegarem à planta da Nissan para passar a seguinte mensagem à empresa: direitos trabalhistas são direitos civis.

A operação da Nissan em Canton teve início em 2003, com altas expectativas para os trabalhadores do Mississippi. O estado concedeu à Nissan US$ 1,33 bilhões em isenções fiscais, acreditando que a empresa traria empregos bem pagos de tempo integral à comunidade. Porém, apesar das expectativas, a Nissan tem violado os direitos dosseus trabalhadores repetidamente.

No final de 2015, o Conselho de Relações Trabalhistas indiciou a Nissan e uma agência de trabalhadores temporários por terem cometido violações de direitos trabalhistas no Mississippi. O Conselho descobriu que a Nissan havia ameaçado fechar a planta caso houvesse sindicalização, ameaçado demitir trabalhadores por atividade sindical e interrogado trabalhadores – todas ações ilegais. O Conselho afirmou que a Nissan tem “coagido seus funcionários, e restringido e interferido com o exercício de seus direitos.”

A Administração de Segurança e Saúde no Trabalho(OSHA) já acusou a Nissan várias vezes de violações das leis federais de segurança e saúde. As acusações mais recentes, de fevereiro, consideraram que a Nissan “não forneceuemprego ou local de trabalho livre dos perigos já conhecidos e que causam ou podem causar morte ou outros graves danos físicos a seus funcionários”.

“Os trabalhadores da Nissan estão lidando com quotas de produção punitivas e condições de trabalhoarriscadas aqui em Canton, e a empresa não respeita nossos direitos no trabalho,” disse. “Arriscamos nossas vidas diariamente porque a Nissan se recusa a fazer com que a planta seja segura, e quando nos manifestamos para reivindicar proteções básicas, a empresa nos ameaça e pratica assédio. É por isso que estamos nos unindo para reivindicar os bonsempregos que a nossa comunidade merece, e não vamos desistir até conquistarmos a liberdade de estarmos unidos num sindicato.”

A planta da Nissan em Canton produz modelos que incluem o Altima, Frontier, Murano e Titan. A empresa recentemente enalteceu o fato do Altima ter sido o automóvel mais comprado pelo consumidor afro-americano em 2016.

“A Nissan gasta centenas de milhões de dólares por ano fazendo seu marketing de fabricante de automóveis socialmente responsável, até mesmo se vangloriando de seu apelo para o comprador afro-americano. No entanto, por trás das cenas, ela viola os direitos da força de trabalho afro-americana que produz estes automóveis,” disse o Presidente da NAACP Cornell William Brooks. “Estamos nos manifestando porque a Nissan não pode ser incoerente, e já é hora das concessionárias e do consumidor entenderem que o produto que vendem e compram não corresponde necessariamente à imagem daquilo que a Nissan diz produzir.”

Algumas vozes de apoio incluem:

Deputado Bennie Thompson:“As conquistas dos trabalhadores da Nissan não vão parar na fronteira do estado do Mississippi. Assim como as lutas pelos direitos civis se concentraram no Mississippi nas décadas de 1950 e 1960 e reverberaram pelo Sul dos Estados Unidos, a conquista dos trabalhadores da Nissan no Mississippi também vai se espalhar pela Geórgia, o Tennessee, o Alabama, a Carolina do Norte, a Carolina do Sul e o país inteiro. Sua maré crescente alçará todas as embarcações.”

Nina Turner, ex-Senadora pelo estado de Ohio: “Os trabalhadores afro-americanos da fábrica de Canton sabem que merecem mais do seu trabalho, mas, toda vez que eles defendem seus direitos, sofrem retaliações por parte da empresa na forma de ameaças ilegais e intimidações. Os direitos dos trabalhadores são direitos civis, e não deixaremos passar esse tipo de ataque que pretende silenciar as vozes de uma força de trabalho de peso”.

Derrick Johnson, Presidente da NAACP no Mississippi: “A opressão econômica sobre os trabalhadores afro-americanos começou com a escravidão, prosseguiu na era Jim Crow, e agora persiste na forma de opressão às atividades sindicais. Igualdade de direitos significa ter direito à voz no ambiente de trabalho, e os trabalhadores continuarão a lutar até conquistarem um assento à mesa com as demais partes na Nissan”.

Aaron Mair, Presidente do Sierra Club: “As empresas precisam ser responsabilizadas pela forma como tratam as comunidades, e isso inclui não apenas o impacto no meio ambiente, mas também sobre a economia local e sobre os trabalhadores que empregam. Acreditamos que esses movimentos de justiça ambiental e de justiça econômica estejam inerentemente relacionados, e continuaremos a apoiar os trabalhadores de Canton até que eles recebam o respeito que merecem”.

Dennis Williams, Presidente do UAW: “Já faz tempo demais que empresas de bilhões de dólares sacrificam os direitos e a segurança dos trabalhadores para obterem melhores resultados financeiros, mas agora os trabalhadores da Nissan estão dizendo basta. Suas ações corajosas servirão de inspiração para que outros milhares de trabalhadores por todo o Sul clamem por bons empregos, e nós estaremos com eles em cada passo dessa jornada até que a Nissan ofereça à comunidade as oportunidades econômicas que prometeu”. 

NISSAN VERSUS O GOVERNO DOS EUA

A Sequência Abaixo Mostra As Reiteradas Violações Aos Direitos Dos Trabalhadores E Aspectos Fundamentais De Segurança, Colocando A Nissan Em Oposição à NLRB e à OSHA

Abril de 2014: O UAW se une ao Sindicato Global IndustriALL para obter assistência do NCP (Ponto de Contato Nacional dos EUA) da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) para reagir às violações contra o direito de organização dos trabalhadores de Canton, Mississippi, praticadas pela a Nissan. O UAW e o IndustriALL dizem que a empresa está se utilizando de “ameaças, intimidação e medo” para que o sindicato não esteja presente na fábrica, e assim está violando as Diretrizes para Empresas Multinacionais da OCDE. O pedido de assistência da OCDE, que promove políticas para a melhoria do bem-estar econômico e social das pessoas do mundo todo, foi feito após anos de esforços de boa-fé por parte dos trabalhadores da Nissan e do UAW na tentativa de chegar a um acordo com a empresa que permitisse uma eleição justa para o sindicato em Canton.  

Janeiro de 2015: O NCP dos EUA decide que as questões levantadas pelo UAW e pelo IndustriALL são “relevantes, fundamentadas ensejam análise mais detalhada”.A Nissan, entretanto, rejeita a oferta do NCP dos EUA para server de mediador do conflito, levando o NCP a declarar que “lamenta que a Nissan não esteja disposta a participar do processo”. Na sequência, o UAW e o IndustriALL fazem outras solicitações aos Pontos Nacionais de Contato da OCDE na Ásia e na Europa, onde a Nissan detém operações de manufatura e sede corporativa, além de alianças de negócios.

Dezembro de 2015: NLRB dá entrada em reclamação contra a Nissan e uma empresa de fornecimento de mão-de-obra por conta de violações aos direitos dos trabalhadores na fábrica da empresa no Mississippi. O UAW, que há tempos afirma que a Nissan faz intimidações contra seus empregados, ofereceu as acusações que levaram à reclamação da NLRB, onde consta que gerentes da Nissan “ameaçaram demitir funcionários por conta de suas atividades sindicais…. interrogaram funcionários acerca de seu apoio aos sindicatos… [e] ameaçaram os funcionários com o fechamento da fábrica caso escolhessem o sindicato como seu representante”.

Fevereiro de 2016: Em audiência na Assembleia Nacional Francesa, o presidente e CEO da Nissan, Renault e da Aliança Renault-Nissan, Carlos Ghosn, negou as afirmações de que a Nissan seja contra a representação de funcionários no Mississippi, dizendo que a empresa “não tem nenhum histórico de não cooperar com sindicatos”. No dia seguinte, no Brasil, representantes sindicais entregaram uma carta aos organizadores dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, declarando que a Nissan estava violando as diretrizes de patrocínio dos Jogos Olímpicos, ao enfraquecer os direitos dos trabalhadores no Mississippi.

Março de 2016: Logo após os comentários de Ghosn, aparentemente em favor dos trabalhadores, na Assembleia Nacional Francesa, a Nissan divulga um vídeo na fábrica do Mississippi em que um gerente declara: “cremos que a presença do UAW aqui não condiz com os melhores interesses dos nossos funcionários, clientes e da nossa comunidade”.

Abril de 2016: Um alto representante da Assembleia Nacional Francesa pede que o governo francês intervenha pelos trabalhadores da fábrica da Nissan no Mississippi, que buscam uma eleição sindical livre de ameaças ou intimidações por parte da empresa. Christian Hutin, vice-presidente da Comissão de Assuntos Sociais e membro da Assembleia Nacional, afirma que a França deve ajudar os trabalhadores do Mississippi fazendo uso de seu poder de pressão como principal acionista da montadora de veículos Renault, sócia da Nissan. Com cerca de 20% de participação, o governo francês é o maior acionista daRenault que, por sua vez, é a maior acionista da Nissan.

Setembro de 2016: Um juiz de corte distrital dos EUA concede um mandado contra a Nissan permitindo que a OSHA inspecione a fábrica de Canton para determinar se a empresa oferece um ambiente de trabalho “livre dos perigos já conhecidos e que causam ou podem causar morte ou outros graves danos físicos a seus funcionários”. A Nissan tenta cassar o mandado.

Dezembro de 2016: Com base nos novos acontecimentos, incluindo a reclamação da NLRB e as contumazes violações às regras de saúde e segurança na fábrica da Nissan no Mississippi, o UAW e o IndustriALL renovam a solicitação feita à OCDE – agora buscando assistência do NCP (Ponto de Contato Nacional) na Holanda, onde a Aliança Renault-Nissan está registrada, e também na França e no Japão, onde a empresa detém operações de manufatura e sede corporativa ativas.

Fevereiro de 2017:A OSHA expede intimações concluindo que a Nissan “não ofereceu condições e ambiente de trabalho livres dos perigos já conhecidos e que causam ou podem causar morte ou outros graves danos físicos a seus funcionários” e que a empresa deixou de “fornecer treinamento adequado para garantir que os funcionários adquiram conhecimento e habilidades necessárias para aplicar, usar e remover dispositivos de controle de energia de forma segura”.

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