Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos

BLOGS
Consultor Sindical

Consultor Sindical

João Guilherme Vargas Netto Consultor Sindical

Consultor Sindical

Dois exemplos

Por João Guilherme Vargas Netto

Quero valorizar dois exemplos de luta sindical pela representação e defesa dos trabalhadores e para a garantia de recursos financeiros aos sindicatos agora que a histeria derrotista tomou conta do patronato a julgar pela matéria da Folha de São Paulo de hoje, dia 15 de março.

O primeiro exemplo vem da Grande Curitiba, dos metalúrgicos que em assembleia geral representativa da categoria, em janeiro deste ano, aprovaram a contribuição sindical coletiva. Esta foi a primeira fase da campanha.

Na segunda fase – que está em curso – o sindicato, associando tal mandamento à campanha salarial antecipada de 2018, busca garantir nas empresas o recebimento das contribuições de todos os trabalhadores e seu repasse ao sindicato. A diretoria e os ativistas, como estão acostumados a fazer, foram às bases e buscaram a aquiescência nas grandes empresas (e não a obtiveram em apenas uma que se recusou alegando insegurança jurídica, sem contestar a legalidade e a constitucionalidade do pleito sindical). Entre as médias e pequenas empresas muitas delas já acataram a posição do sindicato e as recalcitrantes foram convencidas com a greve dos trabalhadores.

Os metalúrgicos de Curitiba têm reconhecido a necessidade de sustentar financeiramente o sindicato que os defende e os representa, incorporando na representação até mesmo outras categorias de trabalhadores.

A terceira fase será a da consolidação do ganho e a de eventuais recursos à Justiça do Trabalho.

No Paraná o Ministério Público do Trabalho abriu um fórum de debates sobre a liberdade sindical abrigando todas as centrais sindicais, em que um dos temas que estão sendo discutidos é exatamente o custeio das entidades com definição sobre a legalidade dos recursos sindicais.

O segundo exemplo vem do Sinpro-SP, sindicato dos professores da rede privada paulistana de todos os níveis de ensino.

Houve o mesmo encadeamento já descrito para Curitiba: assembleia geral da categoria de balanço das negociações salariais em curso com comparecimento expressivo e reaprovação da pauta de reivindicações e da contribuição ao sindicato. Segue a luta para obter a aquiescência e cumprimento do aprovado nas assembleias e discutido nas negociações salariais com o patronato.

O Sinpro-SP e sua campanha (e juntamente com ele a Federação Estadual dos Professores e os demais sindicatos paulistas) realizou hoje, dia 15, uma manifestação na sede patronal do ensino básico para reafirmar as reivindicações da pauta e exigir o desconto pelas escolas. Tudo leva a crer que haverá também uma terceira fase judicializada.

Enquanto em Brasília desenrola-se a novela da medida provisória trabalhista que não pode suscitar ilusões sobre seu desfecho depois do adiamento da escolha do relator e da renúncia do presidente da comissão mista que a analisaria, os dois sindicatos dão exemplo do encaminhamento consequente da luta que, árdua e de resultados provisórios, marcará o empenho relevante do movimento sindical. Sem ele, com ilusões e passividade, restará apenas a dura vigência da lei celerada e o desmantelamento da ação sindical.

João Guilherme Vargas Netto
consultor de entidades sindicais de trabalhadores

João Guilherme Vargas NettoConsultor Sindical

ENVIE SEUS COMENTÁRIOS