Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos

Artigo

A primeira batalha

João Guilherme Vargas Netto, consultor sindical de entidades de trabalhadores

Não se pode dizer que a plenária sindical de quarta-feira, dia 20, na Praça da Sé em São Paulo seja a batalha decisiva contra a deforma previdenciária.

Isto porque a luta está apenas começando e percorrerá um longo caminho nas portas de fábrica e nos locais de trabalho, no Congresso Nacional e nos partidos, nos veículos de comunicação e nas redes sociais e nas ruas. Também porque até a manhã do dia 20 não se saberá ao certo qual deforma previdenciária pretenderá realizar o governo.

A plenária é um primeiro passo que deve ser dado com firmeza, com unidade e como preparação para a caminhada, que já incorpora a luta dos servidores municipais de São Paulo.

Foi convocada por uma ampla articulação de todas as direções sindicais e organizada de modo unitário e agregador, com os cuidados para que tenha êxito em seus propósitos. A convocação e os materiais impressos e eletrônicos de divulgação têm cumprido o seu papel.

As direções sindicais também se preocuparam em estabelecer como orientação comum a resistência à deforma ventilada e vazada pelas autoridades e repercutida pelas mídias sem cair na armadilha da “análise combinatória” das diferentes propostas.

Assim como o dia 20 tem seu peso, mas não é decisivo, as direções devem evitar o erro de determinar desde já as formas que a luta, em suas peripécias e desdobramentos, pode vir a ter.

A primeira consequência do dia 20 deve ser a de unificar a resistência e orientar o trabalho constante de descida às bases porque é ele que no fim das contas determinará o sucesso da luta.

É imprescindível também o trabalho de articulação com os deputados e senadores garantindo a mais ampla frente parlamentar de resistência.

Quanto à propaganda governamental nossos materiais de agitação e esclarecimento devem explorar seus pontos fracos – principalmente o ocultamento falacioso dos objetivos centrais da deforma que são lesivos aos trabalhadores, mesmo que mascarados de combate aos privilégios.

E, finalmente, o movimento sindical não pode e não deve travar a luta sozinho, mas deve buscar aliados que tenham os mesmos propósitos de resistência à deforma.

João Guilherme Vargas Netto
consultor sindical de entidades de trabalhadores

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